Felicidade sem consumo é possível
Vanuatu, uma ilha situada no Pacífico sul com pouco mais de 200 mil habitantes é, segundo um relatório elaborado pela 'New Economics Foundation', o país mais feliz do mundo.
O novo ranking internacional sobre o impacto ambiental e bem estar revela conclusões surpreendentes, traçando um retrato diferente do habitual sobre questões como a saúde e a pobreza das nações. As pessoas podem ter uma vida mais longa e feliz, sem gastarem necessariamente grandes quantidades dos recursos terrestres, sugere o estudo.
O "Happy Planet Index", uma lista que abrange 178 países, coloca no topo da tabela, como a nação mais feliz do planeta, Vanuatu, uma ilha do Pacífico Sul. Seguem-se a Colômbia e a Costa Rica, respectivamente. A Grã-Bretanha, por seu turno, situa-se na 108ª posição e os EUA, muito pior, ocupando o 150º lugar.
Este 'ranking', baseado numa análise aos níveis de consumo de cada país, esperança de vida, felicidade e aspectos como o Produto Interno Bruto, foi realizado pelo New Economics Foundation (NEF), uma organização britânica. O relatório, publicado em parceria com a organização 'Friends of the Earth' revela conclusões surpreendentes e cumpre um dos objectivos do estudo que, segundo Nic Marks (da NEF) era provar que o bem estar não se relaciona necessariamente com altos níveis de consumo. Para o investigador, "é evidente que nenhuma nação pertencente à lista tem todos os aspectos positivos, mas o estudo revela padrões que mostram como poderemos atingir vida mais longa, melhor e mais feliz para todos, vivendo de acordo com as necessidades ambientais".
Consumo não nos tornou mais felizes
Países latino-americanos encabeçam a lista, situando-se nos dez primeiros lugares do index, enquanto nações africanas e da Europa ocidental ocupam as 10 últimas posições.
Entre as maiores economias mundias, destacam-se a Alemanha, no 81º lugar, o Japão, em 95º e os EUA (150º).
Portugal ocupa um lugar entre o meio e o fim da tabela.
No fim da tabela encontramos o Zimbabwe, a Suazilândia e o Burundi.
Richard Layard, director do Programa para o Bem-estar do Centre for Economic Performance da London School of Economics, referiu que esta lista representa uma forma interessante de abordar o impacto ambiental causado pelo estilo de vida actual. "Lembra-nos que não chega sermos felizes hoje, se estamos a comprometer as gerações futuras, através do aquecimento global", afirmou, acrescentando, em declarações à BBC que "durante os últimos 50 anos, o nível de vida no mundo ocidental cresceu imenso, mas não nos tornámos mais felizes". "Isso mostra que não devemos sacrificar as relações humanas, que são a maior fonte de felicidade, em prol do crescimento económico", concluiu.
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AMF, 2006/07/14
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