Concurso de robótica faz a ponte para os automóveis do futuro
O futuro do automóvel não passa apenas pelo recurso a energias alternativas, amigas do ambiente. Para especialistas em robótica, essa marca consiste essencialmente na possibilidade de os veículos circularem sozinhos. Em 2030, acreditam...
A perspectiva de ver automóveis a circular na cidade de forma totalmente autónoma é, por enquanto, apenas ficção, mas um grupo de investigadores norte-americanos pretende torná-la realidade em 2030.
Para tal, lançaram-se ao desafio de desenvolver tecnologia que permita a um veículo percorrer longas distâncias sem a intervenção do condutor. Os últimos desenvolvimentos, na forma de protótipos, serão exibidos em Novembro no DARPA Grand Challenge, um concurso organizado pela agência de investigação do Pentágono.
A principal dificuldade está em programar os veículos para enfrentar situações reais de trânsito e antecipar o perigo, explicou um especialista da Universidade de Stanford (Califórnia), Sebastian Thrun, na conferência anual da Associação Americana para a Promoção da Ciência (AAAS, em inglês).
Piloto automático
O responsável integra uma das equipas que vão participar no concurso de robótica. A aposta dá pelo nome de "Júnior", um protótipo baseado numa Volkswagen Passat Variant de última geração. O veículo, capaz de circular autonomamente, está equipado com um radar, GPS e diversos sensores nos pára-choques. O acelerador e os sistemas de travagem e direcção são controlados por computador.
A equipa de Stanford já é experiente na matéria, tendo desenvolvido o veículo que viria a vencer a edição de 2005 do evento: "Stanley", um Volkswagen Touareg equipado com o mesmo tipo de tecnologia (ver notícia). O SUV foi capaz de cumprir com sucesso o traçado de 212 quilómetros no deserto de Mojave. Com ele competiram mais 22 veículos. No fim, só cinco terminaram a prova.
Desta vez o desafio é maior. Em vez de um deserto, os protótipos terão de percorrer circuito urbanos e enfrentar o trânsito citadino, circunstâncias que exigem um software e hardware superior, capaz de processar mais informação. Stanley desviava-se apenas das barreiras no circuito... Júnior já é capaz de detectar objectos em movimento, recorrendo a sensores mais avançados. Os seus pais reclamam um desempenho quatro vezes superior ao do irmão mais velho.
2030
Sebastian Thrun acredita que os avanços na inteligência artifical deverão abrir caminho à produção em massa de automóveis sem condutor no ano 2030.
«Estes veículos vão mudar a nossa vida», declarou o investigador, citado pela AFP. A solução poderá ser apadrinhada por invisuais, pessoas de idade avançada e crianças, garantindo-lhes uma maior autonomia para se deslocarem, defende o especialista. Simultaneamente, com a confiança da condução depositada na máquina, poderá contribuir para uma diminuição do número de acidentes de viação.
Mas a solução não se aplica apenas ao quotidiano das pessoas. A tecnologia poderá ter também aplicações militares, contribuindo para uma menor exposição dos soldados no terreno. «Creio que estes veículos entrarão nos campos de batalha por volta de 2015», referiu o responsável.
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