O adeus de Bill Gates à Microsoft
Aos 52 anos, William Henry Gates, mais conhecido por Bill Gates, retira-se hoje da empresa que fundou há 33 anos com Paul Allen para se dedicar aos seus projecto filantrópicos.
«Estou a deixar algo, é um trabalho divertido, mas se sempre que houvesse um competidor interessante pensasse em ficar, então teria que morrer no trabalho», declarou Gates numa recente entrevista à revista norte-americana Newsweek.
O adeus definitivo do magnata da informática - anunciado há dois anos num comunicado da empresa - está a ser preparado pela Microsoft desde 2000. Foi naquele ano que Gates foi substituído como CEO pelo seu amigo e braço direito Steve Ballmer e passou a exercer tarefas de arquitecto chefe de software, assim como presidente do conselho de administração.
Gates vai apostar a partir de agora em levar por diante projectos humanitários que pôs em marcha através da Fundação Bill e Melinda Gates, instituição de benemerência dedicada à saúde e educação que recebeu em 2006 o Prémio Príncipe das Astúrias de Cooperação Internacional.
«Terei quatro vezes mais tempo para rever estratégias sobre o que fazemos na educação, luta contra doenças, agricultura, micro-créditos e as aparições em público terão que ver na sua maior parte com a Fundação, assim como as minhas viagens serão para África e a Índia».
Ballmer e a administração da Microsoft terão que fazer frente aos novos desafios da companhia que viu os seus competidores a ganharem-lhe terreno pouco a pouco enquanto enfrenta processos judiciais que o acusam de monopólio.
A gigante do software viu os seus lucros cair 11% no último trimestre e perdeu a batalha pelo controlo do mercado de motores de busca da Internet face ao Google, especialmente depois do seu fracasso para adquirir Yahoo!. A hegemonia que a Microsoft alcançou com Gates, apesar de ainda muito sólida, começa a ver nuvens no horizonte.
As inumeráveis críticas recebidas pelo último sistema operativo, Windows Vista, com problemas de compatibilidade com outros programas, não impediu que a sua comercialização tenha disparado e que já existam mais de 140 milhões de licenças em todo o mundo.
Muitos utilizadores e empresas continuam fiéis ao seu antecessor Windows XP, que tem os dias contados, enquanto aumenta a popularidade dos sistemas operativos gratuitos como Linux ou cresce a quota de mercado dos dispositivos de Apple, competidor de Microsoft, que utiliza os seus próprios programas.
Atrás fica a época em que a Microsoft de Gates estava à frente da inovação informática - alguns aludem ao "Vistaster" ou ao "desastre do Vista"- enquanto surgem competidores fiáveis para o seu pacote de "Office" sem custos para o utilizador, como o "Open Office".
Esta empresa desenvolveu o sistema operativo MS-DOS, introduzido pela IBM nos seus computadores em 1981, e o posterior "Windows", presente na maioria dos computadores pessoais do mundo desde 1985.
Bill Gates, casado e pai de três filhos deixa a Microsoft quando é considerado o terceiro homem mais rico do mundo, com uma fortuna avaliada em 58 mil milhões de dólares, segundo a revista Forbes em 2008.
Com Lusa
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TD, 2008/06/27
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