O futuro veste ElekTex?
O que têm em comum um lençol que avisa a enfermeira quando um doente acamado precisa de ser virado e uma gravata com um telemóvel incorporado? Ambos podem feitos com ElekTex, uma fibra inteligente desenvolvida pela Eleksen.
ElekTex é o nome de uma fibra inteligente que está a ser aplicada em muitos dos gadgets electrónicos lançados recentemente, que sonha tornar-se tão omnipresente como o velcro. Desenvolvido pela empresa britânica Eleksen, este material tecnologicamente inovador está a ser usado para fabricar peças de vestuário com telemóveis ou leitores de música incorporados, para forrar sofás com comandos televisivos embutidos, ou em tapetes e brinquedos 'inteligentes', entre muitos outros equipamentos. Na prática, o ElekTex pode funcionar como um ecrã táctil.
Através da medição das mudanças de voltagem em redor das várias camadas deste tecido condutor, é possível perceber onde e com que intensidade o material foi pressionado, e desencadear uma reacção adequada a essa acção. Esta fibra têxtil apresenta uma série de vantagens em relação a outros materiais, sendo a flexibilidade e a durabilidade, duas qualidades que se destacam. Este material pode ser dobrado, torcido, lavado, tingido ou mesmo perfurado sem com isso perder as suas propriedades. Para além disso é extremamente leve e fino, semi-translúcido e respirável. Entre os primeiros produtos que o usaram estão, por exemplo, teclados para PDA's e telemóveis, uma bolsa para um leitor de música digital com um controle de volume incorporado ou um casaco equipado com um leitor de mp3 e tecnologia bluetooth. Resultante de uma mistura de 50% de fibras condutoras com 50% de tecido normal, o ElekTex pode ser produzido numa enorme variedade de texturas e densidades, o que permite acrescentar a suavidade a alguns objectos que até aqui não a tinham. O primeiro produto feito com este material a ser comercializado é disso um bom exemplo. Falamos de um teclado para PDA, com uma textura suave, com apenas alguns milímetros de altura, que pode enrolar-se à volta deste dispositivo.
 | Os mais cépticos continuam a questionar a necessidade de «tecidos inteligentes» mas Miles Jordan, um dos homens fortes da britânica Eleksen, acredita que este material vai ajudar a humanizar e a simplificar a tecnologia. «Do ponto de vista do design podemos dizer que o mais simples é geralmente melhor», disse Jordan à CNN, antes de reconhecer que o futuro da ElekTex passará mais pelas necessidades de quem a usar, do que pelas pretensões dos seus criadores. «Estas tecnologias tendem a encontrar o seu próprio caminho. Eu adoro pensar que a ideia de criar o e-mail foi uma consequência da world wide web. Hoje o mundo inteiro comunica por e-mail. Se este não tivesse sido considerado um meio de comunicação útil, a ideia teria sido largada como uma batata quente. As pessoas encontram sempre formas de tirar o melhor proveito possível das tecnologias emergentes». Por enquanto existem ainda algumas questões que podem limitar a evolução desta tecnologia. É que este «interface têxtil», apesar de ser extremamente versátil, precisa de ser ligado a algo que interprete o 'estímulo', e a uma fonte de energia. Apesar disso, este material já captou a atenção de muitos designers. Ainda este mês, no Surface Design Show em Londres, Christophe Egret, um arquitecto do Studio Egret West, afirmou que esta fibra é um exemplo de como a tecnologia se está a tornar mais sexy. «Até aqui estávamos limitados às formas rectilíneas. Agora podemos moldar o ambiente de acordo com a forma como as pessoas se movem e agem» começou por explicar. «Esta é uma abordagem orgânica à forma como usamos o espaço. É como dançar com a tecnologia. É o ambiente que reage aos teus movimentos, em vez de seres tu a reagir ao teu ambiente», acrescentou Egret. Numa altura em que os edifícios e dispositivos «inteligentes» são cada vez mais uma realidade, o futuro do ElekTex parece promissor.
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