Vento começa a tornar-se altamente lucrativo
As turbinas de vento que dividem a linha do horizonte do norte de Espanha estão a provocar uma enorme discussão relativamente ao seu papel no controle das mudanças climatéricas.
O vento é, hoje em dia, uma óptima fonte de energia primária para a produção de electricidade, apresentando custos externos e sociais muito baixos, prevendo-se mesmo que a curto prazo, entre 2005 e 2010, possa competir com a produzida a partir dos combustíveis fosseis. Em Pamplona, Espanha, os parques eólicos têm sido alvo de várias discussões. Detractores reclamam que o tamanho e o número de turbinas de vento vai arruinar as vistas enquanto que os responsáveis por estas estruturas afirmam que, para além de trazerem emprego aos habitantes daquela zona, dão à região uma certa notoriedade, uma vez que muitas pessoas visitam a cidade em especial para as ver em acção. Existem diferentes tipos de turbinas de vento mas, em todos os casos, o movimento das pás da turbina é transmitido ao gerador de corrente eléctrica, produzindo assim electricidade. Robert Lecumberri, membro do conselho local, afirmou que os habitantes têm um enorme orgulho nas turbinas. «As pessoas daqui orgulham-se em cooperar com este projecto. As autoridades locais ficam felizes por ver as suas terras nas mãos de uma empresa que produz energia segura, limpa e inesgotável», declarou. No entanto, o facto de as estruturas serem cada vez maiores e com uma tecnologia mais avançada, tornando-as mais eficientes e mais rentáveis para as empresas, está a desencadear bastantes protestos. De acordo com Corin Millais, presidente da European Wind Energy Association, têm ocorrido muitas mudanças na forma como esta indústria se tem vindo a desenvolver nos últimos cinco anos. Actualmente, fornecer energia segura é o suficiente para manter um negócio bem sucedido. «A indústria tem crescido cerca de 30 por cento por ano, com lucros na ordem dos 10 mil milhões de euros. Ou seja, uma série de empresas está agora a envolver-se neste negócio», afirmou Corin Millais.
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Há dez anos atrás, a EHN – empresa espanhola dedicada à promoção e exploração de energias renováveis – deu início a um programa de produção de vento. O resultado foi a criação de 80 parques eólicos em todo o mundo e um lucro líquido de 40 milhões de dólares no último ano. Santi Gomez, porta-voz da empresa, explicou que a EHN, ao construir a fábrica nas terras de Pamplona, expandiu os seus interesses, proporcionando a que esta pequena empresa se transformasse numa com reputação internacional. A referida fábrica existe há um ano, tendo produzido, desde então, cerca de 100 turbinas. Ao mesmo tempo que as tradicionais fontes de energia ficam mais caras, as empresas de energias renováveis vão tentando implantar-se neste mercado cada vez mais lucrativo e combater os protestos dos maiores detractores. O certo é que, tendo em conta que as energias fósseis são cada vez mais limitadas e a dependência do petróleo ainda é muito forte, está mais do que na hora de investir em alternativas.
Investimentos em Porugal
Em Portugal, de acordo com uma notícia avançada pelo Diário de Notícias, a empresa responsável pelo parque eólico de São Paio, em Vila Nova de Cerveira, prepara-se para lançar o concurso público para a construcção do empreendimento que irá produzir dez megawatts. No total, este projecto de aproveitamento do potencial eólico do vale do Minho, cujo investimento é de 13 milhões de euros, prevê a construção de 11 parques eólicos, distribuídos pelos concelhos de Caminha, Vila Nova de Cerveira, Paredes de Coura, Valença, Monção e Melgaço. No caso, por exemplo, de Viana do Castelo, um consórcio liderado pela Enercon, a segunda maior empresa, a nível mundial, na venda de bens e serviços para o sector da energia eólica, vai arrancar, já no próximo ano, com a construção de uma fábrica nos Estaleiros Navais daquela cidade. Inicialmente, esta unidade industrial vai construir pás para aerogeradores. No entanto, este projecto é bem mais ambicioso, estando prevista, numa fase posterior, a construção de aerogeradores completos. Desta forma, nasce em Viana do Castelo a "fábrica-mãe" do primeiro "cluster" em Portugal.
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